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Projeto simula ?Amazônia do futuro? com ambiente repleto de carbono

Com o objetivo de estudar o impacto do aquecimento global em espécies da floresta amazônica, 200 cientistas do Brasil e de outros oito países ligados ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus (AM), lideram um projeto inédito no país que vai simular cenários de mudanças climáticas para analisar a reação da biodiversidade ao fenômeno.

Denominado Adapta (Centro de Estudos da Adaptação da Biota Aquática da Amazônia, na tradução para o português) o laboratório vai incubar peixes, plantas, anfíbios e insetos (aquáticos e não-aquáticos) em três diferentes salas.

Os ambientes sofrerão variação de temperatura e de emissões de dióxido de carbono, baseado nas previsões feitas pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) para o ano de 2100. O experimento verá a reação das espécies ao aumento de até 6 ºC na temperatura e às emissões de CO2, simulando o ambiente terrestre em 20, 50 e 100 anos.

Máquinas adquiridas nos Estados Unidos farão o bombeamento de dióxido de carbono nas salas, que ficarão isoladas e impedidas de receber qualquer influência externa. Dependendo dos resultados, o Inpa afirma que o IPCC poderá incluir o impacto registrado nas espécies da Amazônia no próximo relatório da instituição, que será divulgado em 2015.

“Queremos entender como os organismos vivem e se estão acostumados com a mudança natural do ambiente. Outro ponto importante a ser descoberto é se essas espécies conseguirão se adaptar às mudanças feitas pelo homem e que acontecem cada vez mais rapidamente”, afirmou Vera Val, coordenadora de programas aplicados do Adapta.

O recolhimento das espécies da fauna e da flora amazônica começou há dois anos. Segundo a pesquisadora, aquários com ao menos 300 diferentes tipos de peixes dos rios da Amazônia e incubadoras com insetos, como os mosquitos que transmitem a dengue e a malária, vão indicar se o aumento da temperatura pode afetar as formas de vida do bioma.

“Elas ficarão expostas em ambientes com temperatura e CO2 diversificados durante um período de seis meses a um ano ou o tempo que for seu ciclo de vida. No caso dos mosquitos transmissores da dengue e da malária, queremos saber se o aquecimento global pode mesmo aumentar sua população e, consequentemente, disseminar endemias”, disse Vera.

Ainda em fase de testes, esses microcosmos começarão a funcionar a partir de agosto. Os primeiros resultados deverão ser divulgados em até seis meses.

Fonte: Ambiente Brasil

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